Luz do Eterno por  Anna Lou Olivier
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Prazo de validade



Incontáveis as vezes em que presenciei divórcios, mortes súbitas, desaparecimentos de pessoas ou animais e, em consequência, as mais diversas reações, desde a total resignação até a excessiva revolta culpando o outro, os pais, o país, a má sorte, Deus, entre outras tantas culpas/desculpas...


Também eu perdi muitas coisas e pessoas pelo caminho mas, a cada perda, sempre procuro uma oportunidade, um renascer, um novo caminho. Busco sempre entender que, para tudo há um prazo de validade que pode ser encurtado ou aumentado, lento ou acelerado dependendo de nossas atitudes.


Por exemplo, um casamento que tem tudo para dar certo mas sofre por influências externas diversas pode terminar antes do prazo se um dos dois ou o casal se deixar levar pelas influências mas também pode se fortalecer justamente pelas influências. Isso faz com que os dois lutem juntos e unidos. Da mesma forma, alguém que falece, parte numa separação ou desaparece sem motivo aparente pode ser motivo de luto eterno, de desespero, de culpas e desculpas mas pode também desencadear um sentimento de gratidão ao Universo, pelo aprendizado que causou durante sua estadia, pelas alegrias, bons momentos...


Enfim, tudo depende da forma como entendemos os acontecimentos e como lidamos com eles.


Outro fator que é preciso entender,nem sempre a perda é uma perda de fato. Há momentos em que pensamos estar perdendo algo ou alguém mas o tempo nos mostra que a separação era necessária para nosso crescimento ou para encontrarmos outra(s) pessoa(s) ou também para crescimento e aprimoramento de quem nos acompanhava, ou para ambos... Enfim, cada suposta perda deve ser vista como um possível ganho, com novas experiências, novos aprendizados, novas chances de felicidade. Isso vale, principalmente, para os divórcios que devem ser vistos como uma missão cumprida. Algo que vem para dar uma nova direção ao casal. Respeitando a partida é que se encontra o caminho para nova chegada...


No caso de mortes, passados os momentos de profunda tristeza que devem ser respeitados, afinal, toda perda causa dor, é preciso em seguida perceber que o ser que se foi, cumpriu sua missão/tikun/karma como queiram chamar e partiu.


Procurar lembrar sempre das situações boas, dos aprendizados, dos laços de amor e esquecer o que foi ruim, as discussões, os momentos de crise pois ficar lembrando indefinidamente o que foi mal, destrói a vida de quem se perde em mágoas e prejudica a evolução (e descanso) do espírito de quem se foi.


E os desaparecidos, casos em que um indivíduo perde a memória, vai a lugares desconhecidos, esquecido totalmente de sua antiga vida ou crianças que se perdem dos pais ou animais que se perdem dos donos. E eu já presenciei muitos casos assim...Para quem fica, vem o sentimento de abandono, de vazio, de perda, até de fracasso e culpa por não ter cuidado bem do ser que desaparece no mistério.


Natural, chorar, entristecer ao constatar o fato mas, passado o impacto do desaparecimento, o que se deve fazer é intensificar as buscas, em hospitais, delegacias, portos, aeroportos (especialmente em casos de crianças ou animais desaparecidos mas também adultos que sumam de repente). Ficar relembrando, chorando, reclamando da situação, procurando culpados pelo ocorrido, não levará a nada.


E, se os dias passam sem que se tenha noticias, sei que é bem difícil resignar-se mas é preciso até mesmo para se manter a sanidade, continuar cuidando da família que continua, apesar de um membro desaparecido ou ausente por morte, divórcio ou outro motivo qualquer.


E, em todos os casos, respeitar o prazo de validade das situações. Saber abrir mão do que deve partir seja de que forma for. Entender que, muitas vezes, para ganhar algo é preciso perder o que já conquistamos, para conhecer novas pessoas é preciso deixar algumas pelo caminho e, até que se chegue à real imortalidade, em algum momento, as pessoas falecem e nos deixam sem elas neste planeta...

E o que vale de verdade é o amor que se deu, os bons momentos, os aprendizados, até mesmo o que pareceu ruim mas, com o tempo, serviu de lição...


Espero que este meu simples artigo ajude as pessoas que estão se divorciando ou que perderam parentes ou animais de estimação recentemente e que sirva também de consolo ao meu irmão e cunhada que, neste momento, procuram pelo gato Jorge desaparecido há dois dias. Estou aqui em orações, meditações para que ele apareça e consciente que, caso não o encontremos, tudo foi feito para dar-lhe carinho e aconchego prolongando a vida e o bem-estar dele enquanto foi possível.



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