Luz do Eterno por  Anna Lou Olivier
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A Criação do Universo baseia-se na empatia e compaixão, em consequência, a solidariedade. Portanto, três pilares básicos. Diante da simplicidade desta constatação parece impossível não se atingir um alto grau de elevação e conexão de todos os seres entre todos, ao todo e ao Universo. Porém o que mais ocorre na atualidade é um distanciamento cada vez maior dos seres, em relação ao princípio da Criação. Há uma necessidade quase doentia de se posicionar como único, como pioneiro, como primeiro. Nota-se que a intenção não é melhorar o mundo para que todos vivam em paz e sim mostrar-se como poderoso(a), detentor(a) de algum recorde. Não estou aqui renegando o valor dos verdadeiros pioneiros, estes merecem sim a valorização de seus atos. O que cito aqui são indivíduos que se posicionam como únicos, primeiros, insubstituíveis, geralmente alheios a tudo que ocorre e já ocorreu à sua volta. São pessoas que anunciam uma ideia, projeto ou atitude como “primeira no mundo” quando sabe-se que já existe ou já existiu outra ideia ou atitude semelhante, geralmente já implantada, há casos de livros inteiros que foram plagiados, publicados com outros títulos ou até mesmo com títulos semelhantes. Eu mesma já tive alguns dos meus melhores textos “republicados” sem citar minha autoria... E muitos dos meus projetos já realizados seguem sendo plagiados por pessoas que parecem não enxergar nada à sua volta, além de seu ego extrapolado.


Mas, de todas as formas de “plágio”, sem dúvida a que mais provoca danos ao Universo e ao próprio ser que a dispara é o posicionamento em relação à tão sonhada paz mundial. Neste segmento, as alucinações se multiplicam, na medida em que cada um que se autonomeia “embaixador (a) da paz” impõe suas próprias regras para alcançar a referida paz. São tantas as regras e/ou sugestões que nem é possível citar todas. E o plágio ocorre não só nas ideias em si (que são constantemente roubadas) como na corrida pela posição de representante da paz. A síntese disso é que não há nenhum indivíduo que seja tão extremamente preparado em todos os sentidos que possa posicionar-se como único. O maior dos intelectuais ou o mais desprendido dos gurus dependem de diversas pessoas que lhes fornecem itens básicos de sobrevivência. Ainda que houvesse alguém capaz de produzir sua própria alimentação, seu próprio vestuário, suprir todas as suas necessidades sem ajuda de ninguém e ainda ser letrado, deter conhecimento em todas as áreas, ainda assim, dependeria de ar para respirar e de outros itens básicos (que nem posso enumerar neste pequeno artigo) para manter-se vivo.


Alheios a esta realidade, muitos se lançam em busca da paz, mas plantando guerras, frisando suas diferenças. Gritando ao mundo o quanto são melhores e capacitados a levar a humanidade ao êxtase da paz. Então, volto ao princípio deste artigo e da Criação, tão simples, alicerçada na empatia e compaixão, em consequência, a solidariedade. A empatia que origina tudo, que faz um ser ter a capacidade de sintonizar com outro ser, reconhecer no outro algo que, apesar de estar fora (no outro), pode ser sentido dentro de si. A partir dai a compaixão surge (ou não) de acordo com a sensibilidade de cada um, tornando a empatia algo além de uma simples identificação da dor do outro. A compaixão é uma empatia mais profunda que faz o indivíduo colocar-se no lugar do outro, sentir sua dor e desejar fazer algo para cessar esta dor. Ai vem a solidariedade.


É a solidariedade que faz a compaixão gerada pela empatia ser mais do que simples discurso.


É quando o indivíduo arregaça as mangas, vai à luta, defende quem está oprimido, levanta uma bandeira e segue fiel ao que acredita. Mas tudo isso só é válido se este indivíduo fizer de coração aberto, por amor, para de fato melhorar o mundo para todos. Porque se for apenas para tirar selfies, para mostrar-se ao mundo como um ser de extrema luz, para defender uma espécie e renegar, pisotear as outras (espécies) ou para posicionar-se como melhor que os outros, nada do que faça terá valor real.


Em 2010 eu tornei-me vegana. Antes disso, tive um período de três anos como ovo-lacto-vegetariana e anteriormente uns vinte anos em que, apesar de seguir um dieta estilo macrobiótica (que elimina carnes diversas mas inclui consumo de peixe), às vezes, eu comia carne vermelha.  Mas em todas as minhas fases, desde minha infância, eu só pensei em melhorar o mundo para todos. A cada estudo, a cada experiência e cada evolução, eu fui melhorando minha colaboração ao mundo, mas sempre fazendo o meu melhor. Por isso, respeito todos que estão lutando por um mundo mais justo e em paz, independente de religião, tipo de alimentação, posicionamento socioambiental/animal.  Entendo e respeito a fase de cada um, sei que cada um está fazendo o seu melhor, de acordo com seu entendimento e recursos. Mas penso que cada um também tem que ter discernimento e humildade para reconhecer que é apenas uma das inúmeras peças que, juntas, formam um todo. Antes de sair anunciando uma ideia ou atitude como única, ao menos, olhar em volta e perceber se outra ou outras pessoas já não estão fazendo algo parecido. E saber que, acima de ser primeiro ou único está o fazer de cada um que, juntando, gera uma grande ação. E, por fim, entender que ninguém está acima de ninguém. É preciso ter consciência da efemeridade da vida, da fragilidade do ser humano e de tantos fatores que nem cabe citar beste pequeno artigo. É preciso ter humildade para alcançar o saber e aprender a cada dia. Quem não tem humildade não tem a verdadeira sabedoria, quem não consegue chegar ao saber constante não aprende a se auto liderar e quem não consegue liderar a si mesmo jamais poderá ser líder de quem quer que seja.