Luz do Eterno por  Anna Lou Olivier
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O ano novo das árvores (Tu Bishvat)


No calendário judaico-cabalista, 15 de Shevat é o dia que marca o início do ano novo das árvores. É início da estação em que as primeiras árvores saem do inercia do inverno e começam o ciclo de produção de frutas. É algo como, para os ocidentais, a primavera em que as flores e diversos frutos se destacam. O nome é: Tu B'Shevat.


Este acontecimento está relacionado aos vários dízimos que são separados da produção cultivada em Israel. Mas não me aprofundarei neste sentido, pois a intenção é fazer um artigo introdutório.


Este dia tem significado especial, já que o ser humano é comparado à árvore, no sentido figurado. Há ainda um profundo respeito dos judeus pelas árvores frutíferas. Isso está descrito na Torá em (Devarim 20:19), que estipula que, nem em situação de guerra, uma árvore pode ser sitiada, muito mesmo cortada, pois é dela os frutos que alimentam os humanos. Se houver necessidade de cortar uma árvore, deve-se procurar uma que não gere frutos (alimentos) - (Devarim 20:20)


O ser humano é então comparado ao ciclo de vida da árvore. Entende-se que a semente já contém todo a árvore e dependendo da forma como é cuidado, desenvolve-se de forma frutífera. A partir do plantio da semente na terra, a árvore brota, vai crescendo até atingir a maturidade e passa então a produzir os frutos que alimentam os humanos e até sementes que geram outras árvores como ela. Assim é o ser humano, gerado a partir de uma semente, se desenvolve no útero (que se compara a terra) até que nasce, cresce, amadurece e, com o passar dos anos, o ser humano se reproduz. Aqui, deve-se entender que esta reprodução não é apenas no sentido físico. O ser humano pode e deve reproduzir também em conhecimentos, em ações, em intervenções que melhorem a vida de todos. Especialmente no sentido espiritual, é necessário levar a todos os melhores conhecimentos em todos os sentidos. O que cada um vai assimilar, isso é individual, mas no sentido de doar frutos, todos os seres humanos devem fazê-lo ao máximo.


Uma árvore é composta por raízes, que a mantém firme ao solo e, pelas raízes, a árvore se alimenta de nutrientes da terra e de água para crescer e se manter. A árvore também tem um corpo composto de tronco, galhos e folhas e, com isso, ela pode gerar frutos. Estes frutos contém sementes que geram a reprodução da árvore. Assim é o ser humano que também precisa ter raízes, corpo e gerar frutos tanto física quanto espiritualmente. A raiz física está no alicerce familiar, a espiritual está nos seus estudos e entendimento do Universo, a forma como se conecta ao Universo e torna esta conexão produtiva a si próprio e ao mundo. O corpo físico está em diversos níveis que vão desde o cuidado com sua alimentação até a geração de filhos. O corpo espiritual está ligado ao desenvolvimento intelectual e a forma como o indivíduo estuda, entende os estudos e os coloca em prática. E os frutos, do ponto de vista físico são os filhos gerados e do ponto de vista espiritual são os ensinamentos que cada um adquire e repassa aos outros. Este repasse pode ser de uma a outra geração (entre a família), pode ser a uma comunidade em caso de orientadores espirituais ou também pode ser a multidões como é o caso dos grandes mestres.


Não importa se o ser humano vai ensinar apenas seus filhos ou uma comunidade ou uma multidão de adeptos, a importância dos ensinamentos é a mesma. O que não se pode é reter um conhecimento só para si mesmo. E, ao repassar ensinamentos, apenas tenha cuidado em observar se são, de fato, relevantes e corretos. O que se encontra, na atualidade, é um amontoado de “gurus” ensinando às vezes, o óbvio (que não se precisa de guru para explicar) e em outras vezes absurdos e até comandando seus adeptos em ações contrárias a paz e ao bem-estar de todos. Então, ao compartilhar seus ensinamentos, pense antes na relevância e no quanto estão corretos. E, ao ser ensinado por alguém, aprenda também a discernir, perceber o que é relevante e pode ser assimilado e o que é errado ou distorcido e deve ser descartado.



E atenção: Estes são meus comentários, a forma como entendo os ensinamentos da Torah, Tanakh e Bíblias. Não são a exatidão dos Escritos nem dos ensinamentos. São o meu entendimento deles aliados aos ensinamentos em comum.


Voltando ao tema principal, a celebração de Tu Bishvat é muito alegre, podemos comer várias espécies de frutas E o costume é comer dos frutos que são abundantes na Terra de Israel. "Uma terra de trigo e cevada, uva, figo e romã; uma terra de azeitona e mel (de tâmaras)."

Sendo assim, estes frutos podem e devem ser ingeridos nesta data festiva como celebração de tudo isso que relatei, mas acima de tudo, celebração da vida natural que podemos ter, alimentando-nos com os frutos abençoados das árvores que são tão sábias que derrubam os frutos que já estão maduros e prontos para serem ingeridos. 
Talvez um dia, os seres humanos se elevem tanto que descubram esta forma de alimentação tão simples e prática. Neste dia, todos os dias serão de comemoração.


By Lou de Olivier


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